sexta-feira, 3 de junho de 2011

O anel

Em um pequeno vilarejo vivia um velho professor, que de tão sábio, era sempre consultado pelas pessoas da região.

Uma manhã, um rapaz que fora seu aluno, vai até a casa desse sábio homem para conversar, desabafar e aconselhar-se.

- Venho aqui, professor, porque sinto-me tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada.

Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota.

Como posso melhorar?

O que posso fazer para que me valorizem mais?

O professor sem olhá-lo, disse:

- Sinto muito meu jovem, mas não posso ajudar-te.

Devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois.

E fazendo uma pausa falou:

- Se você ajudasse-me, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois, talvez, possa ajudar-te.

- C... Claro, professor, gaguejou o jovem, mas sentiu-se outra vez
desvalorizado e hesitou em ajudar seu antigo professor.

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao rapaz, e disse:

- Monte no cavalo e vá até o mercado.

Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida.

É preciso que obtenhas pelo anel o máximo valor possível, mas não aceite
menos que uma moeda de ouro.

Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu.

Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores.

Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto
pretendia pelo anel.

Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

Depois de oferecer a joia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou.

O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, livrando assim seu professor das preocupações.

Dessa forma ele poderia receber a ajuda e conselhos que tanto precisava.

Entrou na casa e disse:

- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu.

Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

- Importante o que disse, meu jovem... contestou sorridente.

Devemos saber primeiro o valor do anel.

Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro.

Quem melhor para saber o valor exato do anel?

Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dará por ele.

Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda...

Volte aqui com meu anel.

O jovem foi até o joalheiro e deu-lhe o anel para examinar.

O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o mesmo, e disse:

- Diga ao seu professor, que se ele quiser vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.

- 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.

- Sim, replicou o joalheiro.

Eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...

O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu.

- Sente-se - disse o professor.

Depois de ouvir tudo o que o jovem contou-lhe, falou:

- Você é como este anel, uma joia valiosa e única, e que só pode ser
avaliada por um "expert".

Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?

E, dizendo isto, voltou a colocar o anel no dedo.

- Todos somos como esta joia: valiosos e únicos, e andamos por todos os
mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

Você deve acreditar em si mesmo.

Sempre!

"Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem o seu consentimento."

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Exilados de Capela





Capela é segundo informações, um mundo situado em nossa galáxia, visível a olho nu e peço desculpas no momento por não poder dar maiores detalhes porque foge-me à lembrança a sua localização exata. Não consegui encontrar o referido livro neste momento em que estou iniciando este tema, mas sei que está em uma constelação muito conhecida do nosso céu.






Capela é um mundo superior ao nosso, que também serve de moradia a espíritos em evolução e que também já passou por etapas parecidas com as que vivemos hoje no plano Terra. Também lá, muitos milênios atrás, ocorreu o que hoje se fala muito, ou seja, uma depuração da Terra, uma transformação do planeta no sentido de que ele possa também evoluir e abrigar encarnados de índole boa. Com isso a Terra deixaria de ser um plano de provas e expiações como o conhecemos, para ser um mundo melhor.






Bom, na época da separação em Capela, assim como aqui, existiam espíritos que apesar de estarem num estagio evolutivo muito maior do que o nosso no tocante à conhecimentos etc....por outro lado, eram espíritos que interiormente, ainda nutriam a índole má, que não se afinavam de maneira alguma com a condição atual daquele mundo. Houve então um expurgo, ou seja, todos estes espíritos foram banidos para um mundo inferior, quase que como um castigo, mas como sabemos que ninguém perde o que aprendeu e sabe, todo o conhecimento latente dentro deles, seriam aproveitados para ajudar num outro mundo ainda sem tais conhecimentos.






Assim, eles vieram para a Terra e aqui, misturando-se aos espíritos terrenos, foram de certo modo, ajudando o próprio desenvolvimento da Terra. Dizem que até hoje existem partes deles encarnando na Terra. Eles vieram numa época em que a Terra já formava grandes civilizações. O autor define a Terra e suas civilizações através de períodos que compreenderam 3 grandes ciclos. E dentro de um deles, houve esta grande imigração dos capelinos.






Seguindo um raciocínio e fatos passados por Emmanuel, sabemos que há um grande numero de espíritos escolhidos pelo nosso Pai Maior, que na verdade, são eles que comandam de certa forma os mundos no Universo. Assim, Jesus, é um destes e cuida também de nossa Terra. Por isto os espíritas dizem ser Jesus o diretor maior da Terra. E segue ainda Emmanuel, falando também deste planeta Capela e conta exatamente o que foi dito acima: uma separação que aconteceu devido ao estado adiantado daquele mundo, que não poderia mais continuar com espíritos rebeldes e atrasados e assim os mesmos foram exilados na Terra, um mundo que na época ainda estava em progresso.






Aqui na Terra, através da dor e do trabalho mais penoso, estes espíritos iriam se purificando e com o próprio conhecimento deles, iriam também ajudando os mais inferiores que aqui existiam e ao planeta em si, porque aí virão as descobertas dentre outras coisas que viria ajudar o desenvolvimento da Terra. Estes mais inferiores, seriam ainda os homens primitivos, anteriores a Adão.






Evidente que pelo livre arbítrio é que estes exilados de Capela sofreram este “castigo” porque se de um lado eles possuíam o conhecimento, não souberam usar da forma adequada e foram ficando pra trás.






Se comenta muito, explicando esta imigração dos capelinos, dando-se parâmetros com as civilizações inteligentes do passado, tais como a Egípcia, também os de Atlântida etc.....eram povos que tinham em seu meio, muitos espíritos vindos de Capela, por isto se destacavam para sua época.






Comenta-se que o planeta em si não muda mas os que vivem nele é que evoluem moral e intelectual. E se você evolui, cada vez mais o local onde vive pode não ser mais o adequado pra você. Na verdade, inicia-se uma mistura dos bons e dos maus. Então, um dos dois, visando o bem de um dos lados, deve se retirar e isto foi feito em Capela.






Emmanuel vai mais longe e fala que a nossa atual raça branca, e descendente dos Capelinos que encarnaram nos principais locais da Terra, no meio das tribos mais avançadas e se misturaram. Diz ele que a maioria se estabeleceu na Ásia, de onde atravessando o istmo de Suez, foi para a África na região do Egito.






Diz ainda que muitos destes espíritos rebeldes, só regressaram à Capela, depois de muitas encarnações, muitos séculos de sofrimentos expiatórios, mas que também grande parte ainda está na Terra, contrariando a regra em geral, devido a grande carga de débitos clamorosos.






Segundo Emmanuel, 4 grandes povos formavam a conhecia raça Adâmica: a civilização do Egito, o grupo dos Árias. O povo de Israel e as castas da Índia. Os egípcios eram o que traziam mais vivo na memória as lembranças da antiga morada. Formavam a civilização mais evoluída e que tinham menos débitos no tribunal da justiça divina. Logo eles saldaram suas dívidas e voltaram para a sua casa num outra condição e alguns ficaram com o intuito de contribuir ainda na evolução da humanidade.






Continua ele ainda explicando raça por raça, mas termina dizendo que de todos os degredados, foram os Hebreus que constituíram a raça mais forte e homogênea, mantendo inalterado os caracteres mesmo diante das mudanças que ocorreram. E que o povo de Israel se destacou pela Fé na existência de um Deus único.






Na verdade, ainda existem, como destaquei acima, controvérsias sobre a origem dos povos da Terra.






Por outro lado, de uma coisa não se pode discutir: a que todos devemos evoluir. Mesmo Jesus que quando esteve aqui e falou de paz, amor e igualdade, não foi entendido, o que dizer então dessas transmigrações interplanetárias?






Para encerrar, fugindo um pouco de Capela, eu me recordo de uma mensagem do plano espiritual que fala sobre esta transformação atual que a Terra vem sofrendo a tempos. Numa delas li algo sobre a vinda, ou seja, o reencarne atual de 50 espiritos de muita luz e conhecimento e que estão vindo em diferente missão, no sentido de trazer novidades à Terra, as quais, farão com que o mundo sofra um arranque maior em busca desta evolução. Daqui a mais ou menos 25 a 50 anos, aconteceriam coisas que fariam isto.






Aliás, dizem que muitos dos que estão nascendo hoje, já seriam espíritos de uma melhor índole e que os que não estão se enquadrando para a Nova Terra, já estariam sendo enviados a mundos inferiores a esta Nova Terra num caso semelhante ao que aconteceu em Capela a milênios de anos.






Estudo hoje tendo por base as lembranças do Livro exilados de Capela e também matéria de Natália Leite para Revista Espiritismo e Ciência.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O elogio da abelha


















 
Grande mosca verde-azul, mostrando envaidecida as asas douradas pelo Sol, penetrou uma sala e encontrou uma abelha humilde a carregar pequena provisão de recursos para elaborar o mel.
 A mosca arrogante aproximou-se e falou, vaidosa:


- Onde você surge, todos fogem. Não te sentes indesejável? Teu aguilhão é terrível.

- Sim – disse a abelha com desapontamento -, creia que sofro muitíssimo quando sou obrigada a interferir. Minha defesa é, quase sempre, também a minha morte.

- Mas não podes viver com mais distinção e delicadeza? – tornou a mosca – por que ferretoar, a torto e a direito?


- Não minha amiga – esclareceu a interlocutora -, não é bem assim. Não sinto prazer em perturbar. Vivo tão-somente para o trabalho que Deus me confiou, que representa benefício geral. E, quando alguém me impede a execução do dever, inquieto-me e sofro, perdendo, por vezes, a própria vida.



-Creio, porém, que se tivesses modos diferentes... se polisses as asas para que brilhassem à claridade solar, se te vestisses em cores iguais às minhas, talvez não precisasses alarmar a ninguém. Pessoa alguma te recearia a intromissão.






- Ah! Não posso despender muito tempo em tal assunto... disse a abelha. O serviço não me permite a apresentação exterior muito primorosa, em todas as ocasiões. A produção de mel indispensável ao sustento da nossa colméia, e necessária a muita gente, não me ofereces ensejo a excessivos cuidados comigo mesma.






- Repara! – disse-lhe a mosca, desdenhosa – tuas patas estão em lastimável estado...






- Encontro-me em serviço – explicou-se a operária humildemente.






- Não! não! – protestou a mosca – isto é relaxamento.






E limpando caprichosamente as asas, a mosca recuou e aquietou-se, qual se estivesse em observação.



Nesse instante, duas senhoras e uma criança penetraram o recinto e, notando a presença da abelha que buscava sair ao encontro de companheiras distantes, uma das matronas gritou, nervosa:






- Cuidado! cuidado com a abelha! Fere sem piedade!...

A pequeninha trabalhadora alada dirigiu-se para o campo e a mosca soberba a exibir-se, voando despreocupada.


-Que bonita,parece uma jóia. Que maravilha!



A mosca preguiçosa planou... planou... e, encaminhando-se para a copa, penetrou o guarda-comida, deitou varejeiras na massa dos pastéis e infectou pratos diversos ..., e pousou-lhe na cabeça, infeccionando certa região que se achava ligeiramente ferida.






Decorridas algumas horas, sobravam preocupações para toda a família. A encantadora mosca verde-azul deixara imundície e enfermidade por onde passara.






Quantas vezes sucede isto mesmo, em plena vida?






Há criaturas simples, operosas e leais, de trato menos agradável, à primeira vista, que, à maneira da abelha, sofrem sarcasmos e desapontamentos por bem cumprir a obrigação que lhes cabe, em favor de todas; e há muita gente de apresentação brilhante, quanto a mosca, e que, depois de seduzir-nos a atenção pela beleza da forma, nos deixa apenas larvas da calúnia, da intriga, da maldade, da revolta e do desespero no pensamento.





Do livro A Vida Fala I. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.Espírito: Neio Lúcio










terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Entrevista - Severino Celestino - 31/10/2007 - 07:30h

Campinaespirita – A princípio, gostaríamos que você nos falasse acerca deste último trabalho recém lançado que é o Bereshit. Em que consiste este livro?


Severino Celestino – Bom, trata-se do resultado de cinco anos de trabalho feito em parceria com o israelita Gad Azaria e foi feito do texto original sem nenhum vicio. É um apanhado histórico e arqueológico baseado nos conceitos rabínicos e não teológico, porque a teologia lida com conceitos ocidentais, respeitando os níveis de interpretação de todas as correntes rabínicas. Neste sentido, trata-se de um trabalho inédito no mundo uma vez que é a tradução do livro de Gênesis do hebraico para o português baseado no texto original e feito para pessoas de língua portuguesa ocidental, digo isto porque há trabalhos de judeus para judeus, mas de brasileiro para brasileiro, é o primeiro. Considero uma colaboração muito boa para aqueles que procuram o sentido real da obra original independente de religião. Nele, foram feitos a tradução dos 1.534 versículos do gênesis comentado-os de maneira contextual considerando-se a época em que estes foram escritos.


Campinaespirita – O pesquisador americano Bart Ehman – considerado a maior autoridade em Bíblia no mundo - lançou no ano passado uma obra extremamente esclarecedora dentro desta linha de pesquisa sua, na qual ele faz um apanhado histórico acerca das tradução das escrituras sagradas ressaltando os equívocos apresentados no transcorrer das inúmeras traduções. Você conhece este trabalho? Qual a sua opinião sobre ela?


Severino Celestino – Conheço sim e diria que é um trabalho formidável, sobretudo, levando-se em consideração que é feito por um protestante. O que ele diz lá, com muita coragem, inclusive, coaduna com a nossa obra e com o que o Espiritismo nos apresenta. Na verdade, é um trabalho que eu pensava em fazer e que o Bart Ehrman o fez com muita competência. E entre as questões que ele coloca como um dos problemas para a leitura da bíblia é o fato de que naquela época apenas 15% das pessoas eram alfabetizadas o que, de certa forma contribuía para os erros nas traduções e para o desconhecimento. O livro é de uma riqueza cientifica libertadora impressionante.


Campinaespirita – Um dos problemas que tanto ele como você coloca neste contexto é a falta de conhecimento do cristianismo por parte dos próprios cristãos...


Severino Celestino – De fato, faz-se necessário uma busca à cristalinidade, à mensagem original de Jesus. Seria muito importante que nós buscássemos na história aquilo que é realmente compatível como o que Jesus quis dizer naquela época. E nesse sentido, esse século está trazendo novas luzes por meio de obras como esta que acabamos de falar.


Campinaespirita – Um dos pontos mais polêmicos e que encontra resistência até mesmo entre muitos espíritas é a atestação da reencarnação dentro da Bíblia. O que você diria a respeito?


Severino Celestino – Eu diria que a reencarnação foi um conhecimento divulgado pelo próprio Jesus e que está presente em várias passagens e que era aceita perfeitamente pelos seus apóstolos, basta para isto, fazermos uma leitura mais atenta indo ao sentido real dos textos bíblicos. E neste sentido é interessante porque não se trata de algo oculto, e sim, explícito, em vários versículos como por exemplo em Mateus cap.11. vs 13, onde o próprio Jesus diz literalmente que faz necessário nascermos de novo.


Campinaespirita – E o que dizer da passagem atribuída a Paulo e que é muita usada pelos opositores da reencarnação na qual ele diz que ao homem só é dado morrer uma única vez?


Severino Celestino – Este conceito de Paulo não nega absolutamente a reencarnação, até mesmo porque como fariseu e conhecedor da lei ele não iria ignorar a reencarnação. Ele não está sendo incompatível quando diz que o homem só pode morrer uma vez. Vejamos bem que ele não diz que o homem só nasce uma vez. Ele não deixa de aprovar o que Jesus disse a Nicodemos no evangelho de João. E os opositores usam essa passagem sem ir ao sentido profundo do texto. Isso não nega de forma alguma a reencarnação porque o como sabemos, de fato, o corpo físico só morre um vez e renasce com uma outra identidade, CPF, outra existência. E além do mais há várias outras passagem nos evangelhos como a em que Jesus diz que João batista é Elias que estava de volta. E, mesmo que Paulo tivesse dito aquilo que consideram que tenha dito, entre ele e Jesus, obviamente deveríamos considerar as palavras de Jesus. Por fim, a própria criação do homem, em que está escrito que Deus soprou no homem sopro de vidas e não sopro de vida, deixa isto evidente.


Campinaespirita – Percebe-se que trabalhos como o seu tem uma grande importância, sobretudo, no sentido de incentivar a leitura da Bíblia, coisa que não é muito comum entre os espíritas. O que você pensa a respeito?


Severino Celestino – Acho que os espíritas devem começar lendo kardec e é o próprio kardec que diz que devemos ler a bíblia. È ele mesmo que nos diz que a bíblia não é este livro cheio de erros como pensam alguns. Nós é que nos equivocamos ao interpretá-lo e isto é dito por Kardec na questão 59 dos Livros dos Espíritos. Mas, devemos procurar o sentido oculto e não o literário como dizem os grande estudiosos. Não devemos condenar o gênesis e sim, estudá-lo. O próprio livro do Gênesis está cheio de orientação de como devemos ler os textos bíblicos O próprio kardec diz que a bíblia não é mais a arca de Noé onde só os “sábios” podem colocar a mão. Então diria que quem estudar kardec vai terminar automaticamente lendo a bíblia. E esse trabalho que faço é justamente para compatibilizar e mostrar a coerência o respaldo que existe na bíblia que é um livro universal e de como este livro respalda o Espiritismo. Então diria kardec nunca esteve tão sintonizado com a Bíblia e isto é evidente em todas as suas obras, em que fala-se nos evangelhos, seja na Gênesis, no Evangelho Segundo o Espiritismo, e no próprio Livros dos Espíritos.


Campinaespirita – Qual mensagem final você deixaria para os leitores internautas do site?


Severino Celestino – Deixo um forte abraço fraterno a todos e recomendo que procurem ler a bíblia no sentido aqui discutido ressaltando que como disse Jesus: buscarás a verdade e a verdade vos libertará.





sábado, 13 de novembro de 2010

O Espiritismo e a Bíblia


O teólogo e professor universitário paraibano Severino Celestino da Silva não aceita críticas sem fundamentos lógicos. Cansado de ouvir falar que a Bíblia condena o Espiritismo consultou 16 Bíblias e ali encontrou disparidades de conteúdo. Lembrou-se das palavras de São Jerônimo: “A verdade não pode existir em coisas que divergem”. Decidiu mergulhar na fonte hebraica da Bíblia, comparou com as versões em grego e latim, e descobriu que as traduções apresentam conceitos políticos e pessoais dos seus tradutores, que comprometeram sua autenticidade. Debruçou-se na pesquisa, teve a idéia de reunir o resultado no livro Analisando as Traduções Bíblicas, que aponta as distorções ocorridas nos textos sagrados de Moisés até hoje. A obra teve tamanha repercussão pelo Brasil afora e até no exterior (três edições em menos de dois anos), que já recebeu proposta para editá-lo em espanhol e esperanto.


Ele consultou ainda 103 referências bibliográficas, que colocam o Espiritismo no seu devido lugar perante a Bíblia, provando também que os fenômenos mediúnicos, a reencarnação e as bases do Espiritismo, ressaltam dos textos sagrados. Precavido, ainda foi buscar o aval do israelense Gad Azaria, que revisou os textos em hebraico. Celestino revela que na Bíblia se encontra toda a crença da reencarnação, por parte dos profetas e do povo hebreu, em todas as épocas, e do próprio Cristo que pregava sobre o retorno do espírito noutro corpo, inclusive afirmando, textualmente, que João Batista era o Elias que já vivera no tempo dos Reis de Israel e que havia voltado reencarnado no corpo de João Batista. Dos 23 capítulos do livro, oito se referem à reencarnação na Bíblia.


Celestino considera a Bíblia o livro mais fantástico do universo, por possuir um conteúdo moral, religioso e de relacionamento do homem com Deus indiscutível, porém constata que ainda é muito incompreendida pelo homem. “A Bíblia hoje em português representa uma verdadeira ‘Torre de Babel’ e se perde aquele que busca entender a sua mensagem. Este foi o motivo que me levou a escrever este livro que traz verdades importantes para quem quer seguir um Deus único, misericordioso, infinitamente justo e bom e sobretudo Amor. É um livro que mostra ainda a inexistência de religiões na Bíblia, bem como a inexistência de condenação à Doutrina Espírita. Ele leva você a refletir sobre o amor, a prática da caridade, o amor ao próximo e que a fé sem obras em si é morta”, explica.


As religiões tradicionais costumam argumentar que a Bíblia não se refere ao Espiritismo, mas Celestino tem a resposta: “Realmente a Bíblia não apresenta, em nenhuma de suas páginas, referência ao Espiritismo, de onde logicamente se conclui que não poderia proibir a sua prática ou condená-lo. Seria até uma incoerência. A Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec em 1857, já a Bíblia foi escrita há quatro mil anos atrás, como poderia condenar uma doutrina que surgiria tanto tempo depois? O que encontramos em todas as suas páginas são fenômenos mediúnicos incontestáveis e realizados pelos profetas que eram, na verdade, grandes médiuns”.


Esclarecendo Deuteronômio
Celestino ainda aponta o discurso dos opositores do Espiritismo, que se utilizam do Deuteronômio para ilustrar e justificar suas posições discriminatórias em relação à doutrina kardecista. Ele esclarece essa utilização do livro bíblico. “O Deuteronômio é um livro fantástico. É nele que existe um maravilhoso e incontestável legado para a humanidade: os Dez Mandamentos. Foi nele que Deus registrou a Primeira Aliança. Mas, as pessoas querem ligar as recomendações de Moisés, feitas para o povo Judeu há quatro mil anos no deserto do Sinai, como se fossem dirigidas para os espíritas, que nem existiam naquela época. Eu tenho o maior respeito pelo Deuteronômio, mas é um livro do Judaísmo e sendo o Espiritismo uma religião cristã, como pode ser condenado por uma religião judaica?


“Examinando-se com atenção o Deuteronômio em sua língua original, você vai observar que ele apresenta, com relação à proibição de consulta aos mortos, o mesmo rigor e respeito apresentado por Alan Kardec no Livro dos Médiuns, (questões 273, 274 e 275). Portanto, qualquer coisa fora disto é desconhecimento ou má fé de quem assim se pronuncia”.
Para as pessoas que insistem em afirmar que o Espiritismo não é uma religião cristã, ele reage: “Só quem não conhece o Espiritismo pode fazer tal afirmativa. Os postulados da Doutrina Espírita são todos baseados em princípios cristãos. O Espiritismo complementa o Cristianismo e nos mostra ainda claramente de onde viemos, o que estamos fazendo na terra e para onde iremos. Toda a prática espírita é gratuita, dentro do princípio do Evangelho: ‘Dai de graça o que de graça recebeste’ (Mt. 10,8). A moral que o Espiritismo prega é a moral cristã, ditada pelo Cristo, o maior espírito que habitou o nosso planeta.
“O Espiritismo nos ensina que somos espíritos imortais e quer estejamos na terra, quer no mundo espiritual, trabalhamos ativamente para alcançar a perfeição. O Espiritismo respeita todas as religiões, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização entre todos os homens, independentemente de sua origem, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece, ainda, que o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei da justiça, do amor e da caridade, na sua maior pureza. O Espiritismo nos demonstra que a justiça divina é rigorosamente cumprida, havendo recompensa para os bons e cobrança para os maus. (Mt. 5,25; Efé. 6,8 e 9; Col 3,25; Tia.2,13; Gál. 6,6-8). E nos mostra também que não há penas eternas. O espírito culpado, logo que se arrependa do mal que praticou, obtém a condição de repará-lo. Neste sentido, é preciso trabalhar para corrigir o mal que foi praticado contra o semelhante”.


E ainda, com relação às confusões feitas pelos opositores do Espiritismo, Celestino esclarece: “O Espiritismo não possui hierarquia religiosa, não tem sacerdotes, nem rituais ou formas de culto exterior e nem queima de incenso ou velas, não usa amuletos ou similares, altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios ou quaisquer outros objetos. Em resumo, o Espiritismo é o Evangelho redivivo de Jesus”.


As provas da reencarnação
Dos 23 capítulos do livro de Celestino, oito se referem à reencarnação na Bíblia. Eis algumas considerações: “O rabino Arieh Kaplan afirma que: ‘Não é possível entender a Cabalá sem acreditar na eternidade da alma e suas reencarnações’.Com o nome de ‘Transmigração das Almas’, todo o povo judeu, inclusive a corrente ortodoxa hassídica, acredita que depois da morte a Alma reencarna numa nova forma física. Aqueles judeus hassídicos característicos, de chapéus pretos, tranças (peot) e longos casacos negros são pessoas que acreditam na reencarnação. O hassidismo é uma forma de Judaísmo fundada na Polônia em meados do século XVIII pelo rabino Israel Baal Shem Tov (1700-1760) que começou sob a liderança de Dov Baer De Mejirech. Israel Baal Shem Tov extraiu elementos da Cabalá e espalhou por toda Europa oriental.


“A reencarnação é uma crença fundamental do hassidismo. Seus conceitos constam dos livros Sefer Ha-Bahir(Livro da Iluminação), primeiro livro da Cabalá judaica e do Zohar (Livro do Esplendor). Ambos os livros atribuem grande importância à doutrina da reencarnação, usada para explicar que os justos sofrem porque pecaram em uma vida anterior. Nele, o renascimento é comparado a uma vinha que deve ser replantada para que possa produzir boas uvas. A ‘Transmigração’ emprestou um significado novo a muitos aspectos da vida do povo judeu, pois o marido morto voltava literalmente à vida no filho nascido de sua mulher e seu irmão, num casamento por Levirato. A morte de crianças pequenas era menos trágica, pois elas estariam sendo punidas por pecados anteriores e renasceriam para uma vida nova. Pessoas malvadas eram felizes neste mundo por terem praticado o bem em alguma existência prévia”.


“Prosélitos do judaísmo eram almas judaicas que se haviam encarnado em corpos gentios ou pagãos. Ela também permitia o aperfeiçoamento gradual do indivíduo através de vidas diferentes. O Zohar afirma ainda que a redenção do mundo acontecerá quando cada indivíduo, através de ‘Transmigração das Almas’ (reencarnações), completar sua missão de unificação. Ele nos diz que o termo bíblico ‘gerações’ pode ser substituído por ‘encarnações’. Baseados nestes conceitos, os cabalistas desenvolveram a sua própria interpretação sobre a aliança que Deus fez com Abraão e sua semente. Deus disse: ‘Estabelecerei o meu concerto entre mim e ti, e a tua semente depois de ti, nas suas gerações, por concerto perpétuo’. Acreditavam que Deus havia feito esta aliança com a semente de Abraão não apenas por uma vida, mas por milhares de encarnações”.
- E para os que não acreditam na visão da Cabalá, como é que fica?
- O Antigo Testamento, responde Celestino, apresenta várias referências sobre a reencarnação. Citaremos aqui a passagem em que Deus diz ao profeta Jeremias que o conhecia antes dele ser concebido. ‘Antes mesmo de te formar no ventre de tua mãe, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei; Eu te constitui profeta para as nações’. (Jer. 1,5). Esta passagem sugere que a alma de Jeremias já existia antes de seu nascimento no século VI antes de cristo. Na Bíblia, se encontra toda a crença na reencarnação por parte dos profetas, de David, do povo hebreu em todas as épocas e do próprio Cristo que nunca negou a reencarnação. Pelo contrário, em Mateus 11,13 e 14 Ele afirma textualmente que João Batista era o Elias que já vivera no tempo dos Reis de Israel e que havia voltado reencarnado no corpo de João Batista . Veja os versículos na íntegra: ‘Porque todos os profetas bem como a Lei profetizaram até João. E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que devia vir’. Mt. 11,13 e 14. Palavras do Cristo. Quem quiser que as negue, eu não me atrevo. Temos ainda em toda a Bíblia passagens do Gênesis ao Apocalipse que mostram a certeza na volta da alma ou espírito em outro corpo e que tanto os profetas como os judeus ortodoxos até hoje ainda acreditam.
Passagens da Ressurreição
Segundo Celestino, a Ressurreição, em princípio, é definida como o retorno da alma ao corpo que parecia estar morto. “Na Bíblia existem oito casos de ressurreição. Três casos ocorrem no Velho Testamento, o primeiro é narrado no I livro dos Reis cap. 17 vers. 21 e 22, (a ressurreição do filho da viúva por Elias). O segundo no II livro dos Reis 4,32-37 (a ressurreição do filho da mulher Sunamita por Eliseu) e o terceiro também no II livro dos Reis 13,20 e 21. (ressurreição de um homem cujo cadáver tocou nos ossos de Eliseu) No Novo Testamento temos outros cinco casos de ressurreição. Três foram realizados por Jesus, o Cristo, como está narrado nos Evangelhos: ressurreição da filha de Jairo, o chefe da Sinagoga, narrado em Mateus 9,18-25; a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lucas 7, 11-17) e a ressurreição de Lázaro (João 11, 1-43). As outras duas ressurreição foram realizadas por Pedro e por Paulo respectivamente, narrados nos Atos dos Apóstolos 9,36-42 e 20, 7-12. Existe uma corrente que prega a ressurreição como ocorrendo no último dia e com o mesmo corpo que se viveu. Isto não é verdadeiro.


“Na verdade, o que se traduz como ressurreição na Bíblia, com exceção dos casos citados, significa reencarnação, pois a ressurreição ocorre com o perispírito ou corpo espiritual como fala Paulo aos Coríntios na sua I carta, cap. 15, 35 a 53. A Igreja Católica recita todos os dias na missa, o Credo de Nicéia, que ao ser criado em 325 da nossa era, aceitava a reencarnação e por isso cita ‘creio na ressurreição da carne’. O mesmo ocorre com outras passagem bíblicas que foram adaptadas aos conceitos e crenças pessoais de quem as traduziu. No entanto, Paulo de Tarso foi bem enfático ao afirmar que ‘a carne, e o sangue não podem herdar o Reino de Deus’. Orígenes, discípulo de São Clemente de Alexandria, analisando a Paulo, concluiu que quem ressuscita é o perispírito ou corpo espiritual. O corpo material é entregue a terra para ser destruído e o espírito ou alma vai a Deus”.
A sobrevivência do espírito
Celestino afirma que a imortalidade da alma também consta na Bíblia, sendo uma crença dos gregos, dos egípcios, hindus, chineses e outros povos. Nos Salmos de David existem muitas citações, que expressam sua crença no Sheolou Inferno, só que como uma passagem temporária, jamais como uma região de tormentos eternos. David lançou, juntamente com os profetas, o conceito de ‘Olam ha-bá’ que significa ‘Mundo por Vir’, que era o mundo espiritual da alma, após a morte, no celestial Jardim do Éden. David foi ungido rei por Samuel, filho de Ana e de Elcana. No I livro de Samuel cap. 2,6, encontra-se o cântico de Ana onde está escrito: ‘O Senhor dá a morte e a vida, faz descer ao Sheol e de lá voltar. David cita em vários dos seus Salmos este conceito. O Cristo nos Evangelhos mostra claramente e em muitas citações a certeza da existência e sobrevivência da alma após a morte. ‘Ora é esta a vontade daquele que me enviou: que Eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia’ (João 6,39). Existe, neste evangelho, de uma maneira geral, a promessa e a certeza de que todos chegarão um dia à Deus. A parábola do homem rico e Lázaro é uma prova da sobrevivência do espírito (Lc. 12,13). O juízo final em Mateus 25, 31-46 é outra, e assim sucessivamente.
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Muitos questionam por que a Doutrina Espírita criou o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo ao invés de seguir a Bíblia. Celestino tem a resposta: “Este é mais um conceito errôneo de quem não conhece o Espiritismo. O Evangelho Segundo o Espiritismo é uma coletânea de versículos extraídos da Bíblia e interpretados pelos espíritos. É um livro de orientações maravilhosas para as dificuldades da vida. Possui 28 capítulos, onde setenta por cento dos ensinamentos foram extraídos do Sermão do Monte, o maior legado que Cristo nos deixou e composto por ensinamentos que são aceitos por todos os cristãos. Os outros versículos são retirados dos Evangelhos e até da Primeira Aliança (Antigo Testamento), pois o seu XIV capítulo, ‘Honrar Pai e Mãe’, foi retirado do Êxodo 20,12. Portanto, não se trata de uma Bíblia dos Espíritas, mas de um roteiro moral e de muita luz retirados diretamente das páginas da Bíblia.
A Terceira Revelação
Sobre o fato do Espiritismo ser considerado a terceira revelação, Celestino explica que existem três revelações divinas no universo: “A primeira revelação foi feita através de Moisés no Monte Sinai que são os ‘Dez Mandamentos’. Na seqüência, os profetas predisseram a vinda do Cristo que nos legou a segunda revelação que foi o Evangelho. E foi o próprio Cristo quem predisse a terceira revelação: o Espiritismo. No capítulo 14 do Evangelho de João, em suas despedidas registrando nos versículos 15 a 17, Jesus deixa uma das suas mensagens finais: ‘Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece: mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós’.Cita ainda o Cristo nos versículos 12 a 14 do capítulo 16 do Evangelho de João: ‘Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. As verdades do Espiritismo ainda não são aceitas por muitos. Quando vier o paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vô-lo anunciará’.
“O profeta Joel, que viveu 750 anos A.C. (cap. 3, 1 a 5) (algumas Bíblias traduzidas, trazem Joel 2,28) foi quem primeiro profetizou a chegada dos dons da profecia, ou seja, da mediunidade e do Espiritismo. O texto é o seguinte: ‘Depois disto derramarei o meu espírito sobre toda carne: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos velhos terão sonhos, e vossos jovens terão visões; e também derramarei o meu espírito sobre os escravos e as escravas. Tudo isto é predito também pelo Cristo, como vimos acima, e o fato ocorre com os discípulos na reunião do Pentecostes e está narrado em Atos 2, 1-21”.


A salvação segundo o Espiritismo
Celestino analisa a questão da salvação sob a ótica espírita como sendo uma conquista diária. Esclarece: “Nós preparamos o nosso caminho todos os dias para o nosso reencontro com Deus. É lógico que, em princípio, a salvação é para todos, porém segundo o nosso proceder, uns chegam primeiro outros depois, porém todos chegam. ‘Abandone o ímpio o seu caminho, e o homem mau os seus pensamentos, e volte para Deus, pois terá compaixão dele, e para o nosso Deus, porque é rico em perdão’ (Is. 55,7). Cristo acrescenta: ‘Assim é a vontade de vosso Pai celeste que não se perca um só destes pequeninos’ (Mt. 18,14). ‘Em verdade vos digo, os publicanos e as meretrizes vos precedem no reino de Deus’ (Mt.21, 31). Aqui o Cristo deixa bem claro que todos entrarão no reino dos Céus, até os publicanos e as meretrizes. Entrarão depois, mas que entrarão não se tem a menor dúvida”.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Novas responsabilidades



Filhos da alma: que Jesus nos abençoe.


O século XXI continua guindado à mais alta tecnologia desbravando os infindáveis horizontes da ciência.


Antigos mistérios do conhecimento são desvelados. Enigmas, que permaneciam incompreensíveis, são decifrados e o materialismo sorri zombeteiro das mensagens sublimes do amor.


Paradoxalmente, os avanços respeitáveis dessas áreas do intelecto não lograram modificar as ocorrências traumáticas que têm lugar no orbe, na atualidade. No auge das conquistas das inteligências, permanecem as convulsões sociais unidas às convulsões planetárias no momento da grande transição que passa a Terra amada por todos nós.

De um momento para outro, uma erupção vulcânica arrebenta as camadas que ocultam o magma, e as cinzas – atiradas acima de 10 mil metros da superfície terrestre – modificam toda a paisagem europeia ameaçando as comunicações, a movimentação, enquanto se pensa em outras e contínuas erupções que podem vir assinaladas por gases venenosos ou por lava incandescente... Fenômenos de tal monta podem ser detectados, mas não impedidos, demonstrando que a vacuidade da inteligência não pode ultrapassar a sabedoria das leis cósmicas estabelecidas por Deus.

E Gaia – a grande mãe planetária– estorcega, enquanto na sua superfície a violência irrompe em catadupas, ameaçando a estabilidade da civilização: política, econômica, social e, sobretudo, moral, caracterizando estes como os dias das antigas Sodoma e Gomorra das anotações bíblicas...


Poder-se-ia acreditar que o caos seria a conclusão final inevitável, entretanto, a barca terrestre que singra os horizontes imensos do cosmo não se encontra à matroca.


Jesus está no leme e os Seus arquitetos divinos comandam os movimentos que lhe produzem alteração da massa geológica, enquanto se operam as transformações morais.


Iniciada a era nova, surge, neste mesmo século XXI, o período prenunciador da paz, da fé religiosa, da arte e da beleza, do bem e do dever.

Assinalando esse período de transformação estamos convidados, encarnados e desencarnados, a contribuir em favor do progresso que nos chega de forma complexa, porém bem direcionada.


Avancemos com as hostes do Consolador na direção do porto do mundo de regeneração.


Sejam os nossos atos assinalados pelos prepostos de Jesus, de tal forma que se definam as diretrizes comportamentais.


...E que todos possam identificar-nos pela maneira como enfrentaremos dissabores e angústias, testemunhos e holocaustos, à semelhança dos cristãos primitivos que viveram, guardadas as proporções, período equivalente, instaurando na Terra o Evangelho libertador, desfigurado nos últimos dezessete séculos, enquanto, com Allan Kardec, surgiu o Consolador trazendo-nos Jesus de volta.

É compreensível, portanto, que os Espíritos comprometidos com o passado delituoso tentem implantar a desordem, estabelecer o desequilíbrio das emoções para que pontifique o mal, na versão mitológica da perturbação demoníaca. Em nome da luz inapagável daqueles momentosos dias da Galileia, particularmente durante a sinfonia incomparável das bem-aventuranças, demonstremos que a nossa é a força do amor e as nossas reflexões no mundo íntimo trabalham pela nossa iluminação.


Nos dias atuais, como no passado, amar é ver Deus em nosso próximo; meditar é encontrar Deus em nosso mundo íntimo, a fim de espargir-se a caridade na direção de todas as criaturas humanas.

Trabalhar, portanto, o mundo íntimo, não temer quaisquer ameaças de natureza calamitosa através das grandes destruições que fazem parte do progresso e da renovação, ou aquelas de dimensão não menos significativa na intimidade doméstica, nos conflitos do sentimento, demonstrando que a luz do Cristo brilha em nós e conduz-nos com segurança.

A Eurásia, cansada de tantas guerras, de destruição, da cegueira materialista, dos contínuos holocaustos de raças e de etnias, de governos arbitrários e perversos, clama por Jesus, como o mundo todo necessita de Jesus. Seus emissários, de Krishna a Bahá’u’lláh, de Moisés a Allan Kardec, de Buda aos peregrinos da não violência, de Maomé aos pacificadores muçulmanos, todos esses, ministros de Jesus, preparam-lhe, através dos milênios, o caminho para que através do Consolador – mesmo sem mudanças de diretrizes filosóficas ou religiosas – predomine o amor.

Sejam celebradas e vividas a crença em Deus, na imortalidade, nas vidas ou existências sucessivas, fazendo que as criaturas deem-se as mãos construindo o mundo de regeneração e de paz pelo qual todos anelamos...

Jesus, meus filhos, ontem, hoje e amanhã, é a nossa bússola, é o nosso porto, é a nave que nos conduz com segurança à plenitude.

Porfiai no bem a qualquer preço. Uma existência corporal, por mais larga, é sempre muito breve no relógio da imortalidade. Semeai, portanto, hoje o amor, redimindo-vos dos equívocos de ontem com segurança, agora, na certeza de que estes são os sublimes dias da grande mudança para melhor.


Ainda verteremos muito pranto, ouviremos muitas profecias alarmantes, mas a Terra sairá desse processo de transformação mais feliz, mais depurada, com seus filhos ditosos rumando para mundo superior na escalada evolutiva.


Saudamo-vos a todos os companheiros dos diversos países aqui reunidos, e em nome dos Espíritos que fazem parte da equipe do Consolador, exoramos ao Mestre inolvidável que prossiga abençoando-nos com Sua paz, na certeza de que com Ele – o amor não amado – venceremos todos os obstáculos.


Muita paz, filhos da alma e que Jesus permaneça conosco.

São os votos do servidor paternal e humílimo de sempre,




pelo Espírito Bezerra de Menezes
Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco,
na manhã de 09 de maio de 2010,
no Encontro do Conselho Espírita Internacional,
reunido em Varsóvia, Polônia.